
Como qualquer um de nós pode constatar, há, em Portugal, um abismo social enorme entre os muitos que lutam pela sobrevivência e os muito poucos que sobrevivem a tudo, sem que lhes sejam pedidos sacrifícios.
É neste mesmo país que há representantes do capital que, só porque o são, auferem, entre bónus, prémios e salários, quinhentos salários mínimos nacionais.
Este é o país onde a electricidade é a mais cara da Europa, mas o Presidente Executivo da EDP, António Mexia, ganha 98 anos de salários médios da empresa, mas é também o de Zeinal Bava e Rui Pedro Soares, da PT, entre outros, como o administrador da Jerónimo Martins que ganha por ano 60 anos de salários médios da empresa. O seu vencimento anual é de 662.230 euros.
Este é o mesmo país, mas ao contrário, dos mais de 600 mil desempregados, a quem o Governo diz que diminuirá o subsídio de desemprego, e o mesmo dos 2 milhões de pobres que recebem 83,94 euros de Rendimento Social de Inserção.
Este é o país do PEC, que acabou de ser aprovado pelo PS, PSD e CDS, apesar das medidas económicas e sociais graves que preconiza, para os próximos três anos: congelamento de salários, redução dos subsídios sociais, avanço nas privatizações.
Este é o país onde o que cresce não é a economia, mas o monstro das desigualdades sociais, situação, aliás, que alguns dirigentes socialistas já denunciaram, dando voz ao valor matricial do Socialismo.
ROSÁRIO VAZ
Deputada Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro
Membro da Concelhia do BE-Barreiro
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