segunda-feira, 22 de março de 2010


O papel das mulheres na vida política no Barreiro…

O papel das mulheres na vida política do Barreiro deveria ser mais expressivo, tal como em outros campos da vida pública. Assistimos ainda a uma esmagadora presença masculina nos vários órgãos políticos e sobretudo nos lugares de maior responsabilidade de intervenção. A título de exemplo consideremos o caso das presidências de Junta em que encontramos uma relação de uma mulher para sete homens. Os partidos e os órgãos autárquicos devem fazer muito mais pela igualdade de género, integrando esta perspectiva em todos os domínios da intervenção política e pública. A vontade política de interromper a cadeia da reprodução da desigualdade de género, consubstanciada em medidas concretas, ainda não chegou ao executivo municipal. O papel estratégico do poder local neste campo ainda não foi assumido, nomeadamente na reflexão e elaboração de um Plano Municipal para Igualdade de Género, já recomendado em Assembleia Municipal, ou pela criação de um Conselheiro ou Conselheira Local para a Igualdade de Género a desenvolver actividade no quadro da Rede Social.

Humberto Candeias

Deputado Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro

Membro da Concelhia do BE-Barreiro


O Barreiro Velho

A degradação a que chegou o Barreiro Velho é verdadeiramente insuportável. Atinge-nos em grande medida pelo seu valor simbólico. Outrora coração da cidade, agora resquício de um património histórico e cultural quase desaparecido ou mesmo desaparecido, de que os tristes exemplos mais recentes são o edifício do Sindicato dos Ferroviários ou o Teatro Cine. Vencidos os complexos da assunção plena da nossa história e ultrapassada a guerra egoísta entre poderes locais e centrais sobre a definição de responsabilidades neste território concreto, urge intervir congregando actores privados, públicos, cidadãos e instituições. Os projectos a desenvolver devem partir de um diagnóstico e plano de acção participados pelos cidadãos incluindo os moradores e comerciantes do Barreiro Velho. Não basta criar Conselhos de Reabilitação para a reabilitação do Barreiro Velho e simultaneamente permitir que as opções concretas sobre as acções a desenvolver passem ao lado dos cidadãos e entidades que aí vivem, convivem e trabalham, como aconteceu com a candidatura Barreiro Vivo recentemente efectuada e não aprovada no âmbito do QREN. O futuro deverá passar por usos urbanos diversificados, oferta habitacional qualificada, proactividade dos cidadãos e instituições (ex: Mercado Marquês de Pombal e as iniciativas do Grupo de Amigos do Barreiro Velho) e também pela intervenção da própria Câmara Municipal do Barreiro nos equipamentos de que é proprietária.

Humberto Candeias

Deputado Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro

Membro da Concelhia do BE-Barreiro

quinta-feira, 11 de março de 2010


PARADOXOS(?)

No passado mês de Janeiro, do presente ano, tive oportunidade de assistir, na Biblioteca Municipal do Barreiro, a um Colóquio, em boa hora, levado a cabo pela Escola Secundária de Sto André, do Barreiro.

A temática era “Identidade e Condição Docente, Aqui e Agora” e os oradores o Dr. Victor Cotovio e o Prof. Santana Castilho.

Apesar de já aposentada, senti-me muito confortada porque pude experimentar uma sensação que há muito não tinha, a de que a Escola e os seus actores-protagonistas voltavam, naquele dia, a ser o centro da dignidade que merecem.

No passado fim de semana, por iniciativa do Bloco de Esquerda, na CULTRA – Cooperativa do Trabalho e do Socialismo – fui, de novo, obsequiada com uma Conferência proferida, no Liceu Camões, por António Nóvoa, essa figura impar das Ciências da Educação, em Portugal, o professor-pedagogo, o investigador, o escritor que tem dado à luz uma larga produção escrita, no âmbito do Ensino-Educação.

A sala encheu-se num lapso de tempo e o silêncio fez-se ouvir na sala. Porquê?

Porque António Nóvoa trouxe àquela palestra os ingredientes necessários à verdadeira essência do que é ser professor.

“Já tinha saudades de ouvir falar destas coisas”, desabafava uma das professoras presentes, num entusiasmo que não conteve.

Num breve percurso, foi trazendo às nossas memórias, conceitos que vão da “Escola Popular” à “Escola Única”, passando pela “Escola Nova” até à “Escola Democrática” e à actual “Escola Pública”.

António Nóvoa, o que fez foi, durante algum tempo, falar da Escola humanizada e centrada na pedagogia, o que o levou a recordar nomes como o de António Sérgio, Claparède, Gaston Bachelard, entre outros, que deixaram de ter lugar nas escolas de hoje.

Mas não são as nossas escolas, hoje, mais modernas, porque mais à frente nas novas tecnologias, no trabalho de projecto, no constante apelo à burocratização do trabalho do professor, etc, etc, etc?!

Ninguém duvidará de que sim, que tudo isso acontece nas escolas dos nossos dias, mas valerá a pena perguntar, e os alunos e professores são felizes nas suas escolas?

A pergunta fica, mas, por tudo o que sei e aquilo a que todos temos assistido, a minha convicção é de que não e essa é a grande falha para uma Escola de sucesso!

ROSÁRIO VAZ

Deputada Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro

Membro da Concelhia do BE-Barreiro

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


NÃO PODEMOS IGNORAR!

Está na rua o Boletim Informação da Câmara Municipal, referente ao mês de Janeiro de 2010, bem como o Boletim – Freguesia do Barreiro- 523 anos.

A leitura de um e de outro conduz-nos a uma imagem de progresso, prosperidade, desenvolvimento e bem-estar, numa freguesia e num concelho dominados pelas obras que se concentram no coração da cidade; são, a título de exemplo, o Fórum, o Mercado 1º de Maio, a Escola Prof. Joaquim Rita Seixas, o projecto Repara, esse agora aprovado para a Zona Ribeirinha, para além do apoio ao Carnaval e ao Teatro, entre outros.

São referências que marcam um determinado olhar sobre o Barreiro e de destacar, sem dúvida. Contudo, quem lê qualquer dos referidos órgãos informativos, não fica com a noção do muito que há por fazer em cada freguesia (em algumas mais, em particular,) e no concelho no seu todo, relativamente aos problemas sociais, de miséria e de fome, diga-se claramente, ou aos problemas de insegurança e violência que, aos poucos, vão ganhando expressão no Barreiro.

É no mesmo centro, onde se aglomeram as grandes obras, que tendem a mudar a imagem da cidade que, com maior frequência do que se imagina, se praticam assaltos e desacatos de tipo diversificado.

Até há pouco tempo, o Barreiro Velho era o espaço referenciado por este tipo de situações; hoje é, em zonas como a do chamado “Quatro Cantinhos”, bem perto dos Correios Centrais, que se assaltam pessoas e casas, mas é também em plena Rua José Relvas – uma perpendicular à rua principal (Av. Alfredo da Silva), que se assaltam cafés e automóveis.

Nesta rua, a população já se movimentou e fez chegar à Junta de Freguesia, na pessoa do seu Presidente, um abaixo assinado para que se ilumine devidamente o espaço onde, no Inverno, pelas 17h, as famílias que vão esperar as suas crianças à Escola Primária, ficam rapidamente às escuras.

A quem compete resolver? – perguntar-se-á. À falta de resposta cabal, parece evidente que o poder local deverá associar-se à população para encontrar a solução.

Os jornais locais vão alertando, fazendo eco de situações que substanciam acontecimentos como os referidos, com títulos como “Número de assaltos cresce no Concelho”. Reagir com inactividade, é não responder.

ROSÁRIO VAZ

Deputada Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro

Membro da Concelhia do BE-Barreiro

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


A segurança no Barreiro…

O Bloco no domínio estrito da segurança pública preconiza: um sistema assente na prevenção e de base comunitária; policiamento de proximidade em consonância com a intervenção das populações nos conselhos de segurança; investimento na integração social e em bons equipamentos educativos, culturais e sociais nos bairros/zonas críticas; mobilização dos serviços públicos para uma intervenção de proximidade e comunitária, criativa, e de forte intermediação cultural nos territórios mais atingidos pela exclusão social. Ainda que a segurança pública, a dimensão sobre a qual mais os holofotes dos média incidem, mereça atenção, a importância do tema não nos deve levar a afunilar o debate. A satisfação da necessidade de segurança é básica e prioritária no contexto das necessidades humanas. A (in)segurança merece por isso uma abordagem em todas as suas dimensões. Por vezes esquecemos que a maior causa de morte por homicídio em Portugal é a violência doméstica ou que a (in)segurança rodoviária mata cerca de mil pessoas por ano e metade delas dentro das localidades.

Humberto Candeias

Deputado Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro

Membro da Concelhia do BE-Barreiro



A qualidade dos projectos urbanísticos no Barreiro…

A qualidade dos projectos urbanísticos depende da nossa escala de valores. Valorizamos o ecletismo e a miscigenação sociais ou a segregação dourada dos condomínios privados? Que importância atribuímos ao enquadramento de uma habitação? Dispõe de um parque infantil, jardim e espaços comerciais nas proximidades? Etc...etc…? O Barreiro tem tido, em geral, maus projectos urbanísticos. A escassez de zonas verdes distribuídas pelo parque habitacional, de equipamentos e de espaço público qualificado constitui um legado terrível. Actualmente penso que existe uma preocupação com este estado de coisas e que se procura fazer melhor, mas ainda com pouca materialização. A obra de Malangatana foi um gesto no sentido certo, mas mal aproveitada considerando a sua “invisibilidade”na localização concreta escolhida. A especulação fundiária e imobiliária é muito difícil de vencer. Continuamos a assistir a construções incríveis em cima do rio, destruindo a paisagem. Os cidadãos continuam a não ser convidados a apreciar todas as novas urbanizações e deviam sê-lo. Em cada Junta de Freguesia deveriam existir maquetas dos novos projectos e os cidadãos terem oportunidade de os apreciar. É preciso assegurar que os novos projectos urbanísticos projectem a identidade cultural do Barreiro e não sejam apenas meros projectos comerciais.

Humberto Candeias

Deputado Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro

Membro da Concelhia do BE-Barreiro



O terceiro sector: riscos e oportunidades em tempo de crise

As ONG`S têm vindo a assumir novas responsabilidades neste período de emergência social em que vivemos. A mais valia da proximidade junto das comunidades locais, da capacidade de realização e dinamização social, fazem destas organizações entidades chave no suporte às pessoas em situação de vulnerabilidade, nomeadamente por razão de desemprego ou pobreza. No momento em que as entidades ex-libris do capitalismo financeiro arruínam países e milhões de famílias, são as ONG`S, instituições sem fins lucrativos, que contribuem, diariamente, também em Portugal, para elevar a coesão social e dignidade humana.

A importância do papel destas associações e cooperativas merece uma nova abordagem política. A contratualização do estado com estas organizações para a realização de projectos e serviços no domínio social não pode ser determinada por uma necessidade de embaratecer o custo dos serviços públicos. Algumas modalidades de cooperação e financiamento a estas instituições evidenciam um claro sub-financiamento, quer em instalações e equipamentos, quer no funcionamento. Uma política que reconheça com propriedade a autonomia e o alcance da intervenção das ONG`S investirá na sua qualificação e avaliação e não favorecerá o desenvolvimento de actividades em condições precárias e sem o necessário enquadramento técnico e formativo.

O alargamento e diversificação da Economia Social pode vir a constituir uma alternativa ao actual modelo económico gerador de profunda injustiça social e insatisfação humana.

A crise também é um momento de crescimento.

Qual é papel que a Economia Social quer ter na sociedade em que vivemos?


Humberto Candeias

Deputado Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Barreiro

Membro da Concelhia do BE-Barreiro