
Mudar o sistema
Não mudar o clima
Neste Blogue, editado pela Comissão Coordenadora Concelhia do Barreiro do Bloco de Esquerda, serão reeditados texto publicados pelos nossos aderentes noutros meios de comunicação social. Pretendemos assim reunir num só local toda a participação que se encontra dispersa, de forma a facilitar a consulta da nossa produção informativa e de opinião. Aceitaremos igualmente textos originais os quais deverão ser enviados para olhardeesquerda@gmail.com, para apreciação. Por cá vos esperamos.

A deriva autoritária
Farto de que o meu amigo Belegário me saturasse os ouvidos martelando ininterruptamente na tecla: “ eh, Pá, tu não gramas o homem”, arrumei, por uns tempitos a necessidade de reacção escrita aos acontecimentos e deixei-me pastorear vagares sem qualquer sentimento de responsabilidade social. Fui fazendo a vida naquela do deixa lá ver se o Belegário tem razão; se o homem não é nada daquilo que eu penso, digo e escrevo e se não será a minha má vontade, ou um arreigado preconceito, que me obriga a ver constantes intenções malévolas em quase tudo quanto a criatura faz.
Citando Fernando Nobre, na sua intervenção de 23 de Outubro de 2009, no III Congresso Nacional dos Economistas, “acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?”, sublinho e assino por baixo (se ele me der autorização)
Pois é, meu caro Fernando Nobre, nenhum “deles” viveria com isso…
E o que dizer das reformas de absoluta miséria de muitos, mas mesmo muitos dos nossos idosos – que mal têm dinheiro para os medicamentos, quanto mais para comer!
Dizias tu que neste nosso país “não é um estado viável” – claro que não! Onde a justiça social é uma utopia. Onde a pobreza envergonhada, aquela onde os nossos velhotes, muitas vezes de lágrimas nos olhos, pedem fiado nas farmácias e nas mercearias e onde há reformas de mais de 20.000 euros por mês.
O Estado que não proteger as franjas mais desprotegidas não merece ser estado.
Como dizia Gandhi “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons”
Bem hajas pelas tuas palavras de indignação.
DEMOCRACIA DIRECTA
Acabámos de assistir ao que poderíamos dizer, com propriedade, “a montanha pariu um rato”, quando o Governo Sócrates fez crer que ia ouvir a oposição para decidir sobre o que havia de ser o Orçamento do Estado.
Efectivamente, aquilo a que assistimos, mais não foi do que uma farsa mal desempenhada, diga-se em abono da verdade.
Num primeiro olhar, constata-se que a Esquerda, consubstanciada no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista Português, se demarcou de um Orçamento que não traz ao povo português a menor das alterações para a sua situação de desemprego e de pobreza; num segundo plano, vemos o PSD e o CDS em disputa pela afirmação das suas propostas de direita. E afinal, em que ficámos? Em nada mais do que nada, para além do que já estava determinado, mas o suficiente para que o Orçamento fosse aprovado e as políticas de manutenção de um “status quo” de miséria vingassem, a todo o custo.
Mais perto de todos nós, teremos, muito em breve, oportunidade de conhecer e debater o Orçamento para o nosso Município. Este é, sem dúvida, um momento crucial para a definição de políticas e prioridades para o nosso concelho.
Os eleitos para a Assembleia Municipal irão, necessariamente, pronunciar-se sobre ele. E a restante população não terá nada a dizer ou deixa por mãos alheias aquilo que lhe diz tão directamente respeito?
Sempre defendi que a participação nos órgãos autárquicos é da maior importância democrática; neste momento, e no caso da discussão de um instrumento que mexe com o futuro de todos, penso que mais do que isso, seria importante a auscultação dos barreirenses e, aí sim, teríamos um Orçamento participativo, um Orçamento que corresponderia aos anseios dos cidadãos.
É tempo de afirmarmos a nossa democracia, não só nos momentos eleitorais, mas sobretudo em acções concretas, diria mesmo, não critiquemos, em vão, o que se passa no Governo Central, para, localmente, nos demitirmos das nossas responsabilidades.

| Se é certo que não se pode mudar a mentalidade das pessoas de um dia para o outro, também é verdade que a Avenida da Praia não tem estruturas para conseguir competir com outros locais mais apelativos. As pessoas preferem concentrar-se junto aos Fóruns, frequentar as ruas mais comerciais ou de intensa diversão nocturna. |
Conferência de Imprensa - 1 de Fevereiro 2010
Apresentação da nova Concelhia do BE-Barreiro,
eleita a 9 de Janeiro 2010
Secretariado:
Intervenção de Rosário Vaz - (Secretariado da Concelhia)
Depois de, um curto espaço de tempo, termos sido chamados às urnas, por três vezes, em 2009, não podemos deixar de constatar que este foi um ano de afirmação do Bloco de Esquerda, enquanto força partidária, e de confirmação da justeza das suas propostas, quer a nível europeu, quer a nível nacional, quer a nível autárquico.
Tendo em consideração a sua ainda curta experiência, mas a importância que atribuímos ao trabalho de proximidade com os cidadãos, é, efectivamente a nível autárquico que o Bloco pensa ter um caminho a fazer e a aprofundar.
Por essa razão, o BE-Barreiro iniciou um processo de mudança que já começou a ter visibilidade: passou a sua sede de um espaço fechado e pouco visível para um lugar que é, para nós paradigmático do Barreiro que precisa de mudar. Estamos agora sediados no Barreiro Velho e queremos, com isso, significar a valorização desta zona nobre da cidade e, a partir daqui, iniciar novos processos de intervenção.
Para além da mudança de sede, elegemos uma nova concelhia, tendo em conta os novos desafios que se nos colocam. Um deles tem a ver com a aposta no trabalho com os jovens e, por isso, da faz concelhia faz parte, pela primeira vez, um jovem. Outro aspecto visível nesta nova concelhia, tem a ver com as questões organizativas internas, facto que consideramos da maior importância para esta nova etapa do BE-Barreiro. Sinal dessa organização é a presença nesta Conferência de Imprensa, de um grupo de 4 pessoas que constituem o Secretariado da Concelhia. A concelhia tem 9 pessoas, e destacamos que 4 são mulheres, e temos a certeza de que, no seu todo, ela será a garantia de um conjunto alargado de valências e capacidades de intervenção local, desde a mais directamente ligada ao trabalho autárquico, até ao trabalho em problemáticas como a Saúde, o Ambiente, a Educação e Cultura, etc.
O BE-Barreiro assume como um grande desafio o contributo a dar no perspectivar da nova cidade que se adivinha poder vir a nascer no enquadramento, em sentido lato, do Arco Ribeirinho Sul, com todos os investimentos programados neste contexto.
É para o BE-Barreiro uma grande motivação de trabalho, a valorização e o destaque das múltiplas potencialidades do Tejo, continuando a trabalhar no sentido da criação de um Centro Científico e Cultural do Tejo, questão que já foi objecto de discussão pública, num Seminário realizado, implementado por nós, no passado 2009.
É claro, portanto, que o BE-Barreiro está apostado na mudança, impondo-se a si próprio e aos que o acompanham de mais perto, um programa de acção e de forte implantação local.